18 de maio de 2015

Carta da Saudade


Todo ano, tem uma época, em que chega o dia em que se tem que fazer uma limpeza. Tirar todas as coisas do armário, separar o que se usa e o que vale a pena manter. E mandar embora tudo o que já não te serve mais. E ficar apenas com as coisas boas e que irão te acrescentar mais coisas boas. Porque é como um ciclo, o que é bom, vai trazer o que é bom também. Eu não estou falando de roupas, pelo menos, não somente de roupas.
Mas também estou me referindo as coisas do coração, da alma e do corpo. Tem coisas, pessoas e situações que as vezes é melhor deixar para lá e se permitir a deixar coisas novas te cativar.
Só que isso é um assunto para mais tarde e para ser conversando com muito mais calma aqui no Seis Mil Milhas, acho que seria uma postagem perfeita para a categoria do Diário de Bordo.
Mas sem mais enrolação... Na semana passada, minha mãe estava fazendo uma dessas limpezas de primavera - um pouco fora de época - e encontrou no meio de sua bagunça, uma carta de amor que marca um pedacinho da história da minha gigante família! ♥


"Recife, 25 de setembro de 1944
Saudações

Minha querida Helena, é com o coração partido de saudades que ti mando estas mal traçadas linhas, eu cheguei em paz graças a Deus, e vou passando bem não vou melhor porque não estou com você ao meu lado querida não escrevi a mais tempo porque tenho trabalhado de noite. Helena, espere por mim no domingo, no trem da manhã, pois eu gostei muito do Recife mais não suporto mais as saudades, você bem sabe quem tem amôr de verdade não pode viver (vire) distante dele não sei se você sente a mesma saudade que eu sinto. Sem mais adeus aceite um forte e afetuoso abraço deste que nunca ti esquece:

Gumercino Ferreira 
(Chego no dia 1 de outubro, no trem da manhã)" [sic.]

Essa carta foi escrita pelo meu avô para a minha avó em 1944. Quando eles ainda namoravam ou estavam de paquera. Ele estava em Recife (PE) enquanto a minha avó estava em Caruaru (PE), acho que ele estava lá a trabalho. Mas não tenho certeza do motivo dele estar longe.
De qualquer maneira, quando minha mãe me mostrou essa carta, achei a coisa mais bonita desse mundo. Gesto tão gentil, tão carinhoso e tão amável que é tão difícil de se ver hoje em dia, e ainda mais difícil de se ver todos os dias.
E por isso, eu vim compartilhar com você, leitor do blog. E tornar o seu dia um pouquinho mais doce! ♥

6 comentários:

  1. Olá Sarah! Realmente ler teu post alegrou meu dia! Preciso fazer umas limpezas dessas por aqui, mesmo estando fora de época. E sobre o escrito de teu avô, coisa mais linda quando vemos o registro do amor né!? Fico encantada quando vejo gestos assim. Felicidades e muito amor em sua grande família!

    Bjus.
    www.pensamentosvalemouro.com.br

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    1. Fiquei tão feliz em ler o seu comentário, Vanessa. Mas é uma delicia ler essas coisas, não é? Parece que passa o carinho para dentro de nós. Muito obrigada, viu? E felicidades para você também! ♥

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  2. Que carta mais singela e romântica! Tão raro hoje em dia encontrar gestos assim. Bjsss www.janelasingular.com.br

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    1. É mesmo, sinto falta desse romantismo todo hoje em dia, mesmo que seja para os outros. Um gesto desses acaba alegrando o dia de qualquer pessoa que vê!

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  3. Você traduziu bem Sarah, é necessário fazer essa limpa mesmo, no coração principalmente né !! A gente se apega a coisas tão vazias...
    E que carta mais linda, gente me emocionei de verdade, acho lindo demais esses pequenos detalhes que mexem com o nosso intimo !!
    Sinto falta desse romantismo hoje..

    Beijoo Rii Mendes

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    1. Com certeza, é bom você de vez enquanto dar uma olhadinha para dentro do seu coração e ver o que vale realmente ser guardado! <3

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